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Moçambique Lança Novas Variedades de Batata-Reno para Segurança Alimentar

Moçambique libertou oficialmente para o mercado cinco novas variedades de batata-reno, denominadas Maragui, PNIB9, Rosâmia23, LIMunda e Kadoda99. A iniciativa, liderada pelo Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) em parceria com o Centro Internacional da Batata (CIP), visa reforçar a segurança alimentar e nutricional, além de reduzir de forma drástica a forte dependência do país em relação a sementes importadas.  

O anúncio foi formalizado no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) pela Directora Nacional de Sanidade e Biossegurança, Antónia Vaz, que destacou a resistência destas variedades a pragas e doenças, com enfoque na murcha bacteriana, um dos maiores entraves à produtividade nacional. 

A batata-reno integra a lista das cinco culturas alimentares mais importantes da cesta básica em Moçambique, mas o mercado doméstico enfrenta um défice estrutural severo, com o consumo anual a superar as 500 mil toneladas para uma produção nacional de apenas 297 mil toneladas. Para suprir a baixa produtividade e a fraca qualidade dos materiais locais, o Estado despende anualmente cerca de 3 milhões de dólares na importação de sementes.  

Os novos genótipos, testados entre 2022 e 2025 com o envolvimento de mais de 500 produtores em Lichinga, Sanga e Chimbunila, apresentaram um potencial produtivo altamente competitivo, alcançando rendimentos entre 22 e 42 toneladas por hectare, marcas muito acima do histórico das culturas actuais. 

O Director Nacional do CIP, Abdul Naico, sublinhou que o défice na produção interna de sementes de batata-reno atinge ainda a fasquia dos 90%, mas antevê que a massificação destas novas variedades, sob a égide do Programa PROCAVA, possa inverter o cenário.  

O responsável estima que um plano intensivo de quatro a cinco anos confira estabilidade à produção, reduzindo significativamente a fuga de divisas. O processo técnico de multiplicação de sementes decorre actualmente na época fria, estando em curso a produção da primeira geração, ao passo que o período quente, entre dezembro e janeiro, será reservado à conservação do material biológico para as próximas campanhas agrícolas. 


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