Governo de militares na Guiné-Bissau mantém contacto semanal com ex-presidente Umaro Sissoco Embaló – MZNews
Fontes de alta patente junto à Presidência da República da Guiné-Bissau revelaram ao portal Bissau Online que o atual governo militar, liderado pelo general Horta Inta-a e por Ilídio Vieira Té, reúne-se semanalmente com o ex-presidente Umaro Sissoco Embaló para prestar contas. Segundo as mesmas fontes, os golpistas recebem instruções regulares de Sissoco sobre as decisões que devem tomar.
O golpe de Estado ocorreu a 26 de Novembro de 2025, depois da derrota do ex-presidente na primeira volta das eleições presidenciais. Os militares invadiram a sede da Comissão Nacional de Eleições, destruíram computadores, servidores e urnas, e detiveram funcionários daquele órgão.
Observadores internacionais da União Africana, liderados pelo ex-presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, acusaram Sissoco de ter encenado um golpe de Estado cerimonial para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.
Após o golpe, Umaro Sissoco Embaló foi libertado no dia seguinte, tendo procurado inicialmente exílio no Senegal, que lhe foi recusado pelo primeiro-ministro, e depois no Congo-Brazzaville, onde partidos da oposição também negaram a sua permanência. O ex-presidente acabou por conseguir refúgio em Marrocos.
Poucos dias depois da tomada do poder, o general Horta Inta-a, chefe de Estado-maior particular de Sissoco, foi nomeado presidente da Transição, enquanto Ilídio Vieira Té, antigo diretor da campanha presidencial de Sissoco em Biombo, assumiu o cargo de primeiro-ministro.
A inclusão de figuras próximas de Umaro Sissoco no governo militar levantou novas dúvidas entre analistas políticos e cidadãos sobre os verdadeiros motivos do golpe de Estado e sobre a legitimidade das ações dos militares.
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