Macron apela “prudência” quanto às reparações da escravatura
O Presidente francês, Emmanuel Macron, considera que há reperações devidas aos países visados pela escravatura, mas pediu “prudência” para “não se fazerem promessas”.
Segundo avança a publicação da RFI, o líder francês disse ainda apoiar a revogação de documentos que datam à monarquia sobre a organização da escravatura e aceitou uma placa para colocar no Palácio do Eliseu reconhecendo que o edifício foi construído com o dinheiro vindo da escravatura.
Para Macron, as reparações aos países que sofreram com a escravatura não são um tabu, mas também não devem servir para fazer “falsas promessas”.
Falando na cerimónia dos 25 anos do reconhecimento da escravatura como crime contra a Humanidade, o líder francês lembrou que é impossível reparar um flagelo como a escravatura.
“Temos de dizer honestamente que não poderá reparar completamente este crime, porque é impossível. Nunca poderemos dar um valor equivalente às vidas que se perderam nem encontrar as palavras que encerrem esta história”, disse o Presidente, de acordo com a publicação.
A França foi o terceiro país no Mundo com mais escravos, após o Reino Unido e Portugal, tendo abolido de forma definitiva a escravatura em 1848.
Nestas comemorações, o Presidente disse ainda que pediu ao Governo para apoiarem a proposta de revogação do chamado “Code Noir”, um conjunto de leis dos séculos XVII e XVIII que organizada o tráfico de escravos em França.
Apesar dos quase 200 anos do fim da escravatura, esses textos nunca foram formalmente revogados. Esta é uma iniciativa defendida pela antiga ministra da Justiça, Christiane Taubira.
A Fundação para a Memória da Escravatura deu ainda ao Presidente francês uma placa para fixar nos muros exteriores do Palácio do Eliseu, em que se explica como este edifício foi construído devido ao trabalho escravo.

