Valorização dos Media Nacionais e Desafios Digitais em Moçambique

O administrador da Rede de Comunicação Miramar, Leandro Pinheiro, defendeu, esta quinta-feira, em Maputo, a necessidade de valorização do produto mediático nacional e de adaptação estratégica ao digital, durante a Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media.
Intervindo num dos painéis do evento, Pinheiro afirmou que Moçambique vive um “paradoxo digital”, tendo em conta que cerca de 80% da população continua sem acesso à internet. Segundo o CEO, mesmo entre os 20% com acesso ao digital, muitos enfrentam limitações de conectividade e baixo poder de compra, o que reduz o impacto comercial da publicidade digital.
Leandro Pinheiro alertou que muitas empresas acreditam, de forma errada, que o digital representa uma solução barata e suficiente para divulgar marcas, produtos e serviços. Para o administrador da Miramar, a publicidade deve ser integrada e abrangente, envolvendo televisão, rádio, imprensa, outdoors e plataformas digitais.
Apesar das limitações, o gestor reconheceu que o digital já faz parte do quotidiano e que os media tradicionais devem adaptar-se às novas tendências tecnológicas. Como exemplo, citou o debate em curso no Brasil sobre a implementação da televisão 3.0, que combina televisão tradicional e digital através do uso de algoritmos voltados à publicidade.
Outro desafio apontado por Leandro Pinheiro é o crescimento acelerado do número de órgãos de comunicação social no país após a migração do sistema analógico para a Televisão Digital Terrestre (TDT). Segundo explicou, Moçambique passou de cerca de cinco canais de televisão, em 2017, para quase 30 actualmente.
O administrador revelou ainda que o sector da comunicação social registou uma queda significativa nas receitas publicitárias. Entre 2019 a 2025, o sector da comunicação teve uma redução de 40%.
Pinheiro acrescentou que, apesar do aumento de mais de 500% no número de meios de comunicação para consumo, o volume de publicidade vendida em todos os seguimentos do sector caiu de 154 mil inserções, em 2019, para apenas 64 mil, em 2025.
Perante este cenário, o administrador da Rede Miramar apelou aos órgãos de comunicação social para valorizarem os seus espaços comerciais e defenderem o valor do conteúdo produzido, sublinhando que o funcionamento dos media envolve custos elevados com salários, impostos, energia e investimentos técnicos e conteúdos.
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