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ANAC Completa 15 Anos: Conservação com Enfoque Socioeconômico

A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC, IP) celebrou o seu 15.º aniversário sob o lema “O Futuro da Conservação com Enfoque Socioeconómico”. Durante a cerimónia, realizada em Maputo, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, discursou sobre a necessidade de consolidar uma visão governamental que transforme o capital natural em oportunidades económicas reais para as comunidades, através do turismo sustentável, emprego verde e da economia da vida selvagem.  

O governante vincou que o Executivo não protege a natureza contra o desenvolvimento, mas sim para o desenvolvimento.  

O grande destaque do evento foi a revelação dos resultados do Censo Nacional de Fauna de 2025. Após os registos de 2014 e 2018, que acusavam um declínio severo devido à caça furtiva, com os elefantes a caírem para 9.114 indivíduos, os novos dados indicam uma recuperação encorajadora. A população de elefantes em Moçambique está agora estimada em cerca de 21.700 animais, mais do que o dobro do verificado no censo anterior.  

Pela primeira vez, a região sul do país apresenta maior número destes paquidermes do que as regiões centro e norte, impulsionada pelas áreas de conservação transfronteiriças. Em contrapartida, os números do Norte podem estar subestimados devido à exclusão de algumas zonas por motivos de segurança.  

O crescimento efectivo dos animais gerou uma enorme pressão ecológica, com estudos no Parque Nacional de Maputo a alertarem para o risco de desequilíbrio associado à mortalidade massiva por competição de pasto, dado que a capacidade de carga foi ultrapassada. Para evitar um colapso ecológico, mitigar o conflito homem-fauna bravia e impulsionar a economia de vida selvagem, o Governo vai iniciar um processo de extracção de fauna em duas fases.  

A primeira fase será um piloto para fins de maneio e restauração do equilíbrio ecológico no Parque Nacional de Maputo, a ser implementada a partir do segundo semestre com a remoção controlada de espécies em excesso. A segunda fase consistirá na extracção para fins comerciais no contexto da diversificação económica, abrangendo principalmente as áreas de caça.  

Face às novas dinâmicas, Roberto Albino anunciou formalmente o início do processo de Revisão da Política de Conservação e Estratégia de Implementação de Moçambique. Para orientar esta revisão, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas decidiu criar uma comissão dedicada que integra o Estado, o sector privado (CTA), a Associação dos Operadores de Safari, a sociedade civil e a academia.  

A equipa é dirigida por Gustavo Sobrinho Dgedge (Secretário de Estado da Terra e Ambiente) na qualidade de Presidente da Comissão, contando com Pejul Calenga como Coordenador. O grupo terá o mandato de actualizar o instrumento político, identificar lacunas institucionais e conduzir as consultas públicas.  

A fechar a sua intervenção, o governante reiterou os reconhecimentos às figuras que foram distinguidas pelo seu contributo histórico no Sistema Nacional de Áreas de Conservação. 


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